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Mulher utilizando um smartphone em um ambiente acolhedor, associando tecnologia e reflexão sobre sentido.

Artigo 10

Hiperconectados, mas conectados a quê?

A tecnologia nos conecta ao mundo, mas só a presença consciente nos reconecta ao sentido, aos vínculos e ao que realmente dá profundidade à vida

Nestor BrunoTeólogo e Psicólogo Clínico – LPCC 44659

11 min de leitura

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Resumo

Este texto discute a hiperconectividade a partir do diálogo entre tecnologia, espiritualidade e busca de sentido, propondo que o problema central não está apenas no tempo de tela, mas no lugar que a tecnologia passa a ocupar na vida psíquica, relacional, ética e espiritual das pessoas. A partir de temas como infância, adolescência, aprendizagem, neurodivergência, maternidade, conjugalidade, violência digital e mecanismos de recompensa, argumenta-se que a cultura digital disputa capacidades fundamentais à experiência humana, como atenção sustentada, silêncio, espera, presença, pertencimento e discernimento. O artigo compreende a espiritualidade de modo amplo, como dimensão relacionada a sentido, propósito, conexão, transcendência e valores, sem reduzi-la à prática religiosa, embora reconheça a importância concreta da fé e da comunidade para pessoas religiosas. Defende-se que a tecnologia pode favorecer informação, acessibilidade, vínculos e participação, mas também pode substituir encontros, aprofundar dispersões e enfraquecer experiências essenciais ao desenvolvimento e à vida com significado. Assim, propõe-se a passagem de uma lógica de simples desintoxicação digital para uma perspectiva de discernimento digital, capaz de avaliar como, para quê e a serviço de quais valores a tecnologia é utilizada.

Palavras-chave:Hiperconectividadetecnologiaespiritualidadesaúde mentalsentido da vidapresençadiscernimento digital

Os artigos que antecedem este texto percorreram praticamente todo o ciclo da vida e diferentes territórios da experiência humana: a relação entre mãe e bebê, a infância, a adolescência, a aprendizagem, a neurodivergência, a vida conjugal, a violência digital e os mecanismos de recompensa que nos fazem voltar repetidamente às telas. Lidos em conjunto, eles parecem conduzir a uma pergunta que ultrapassa o tempo de tela: o que acontece quando a tecnologia começa a ocupar os espaços nos quais construímos presença, vínculos, valores, identidade e sentido?

Ivan Mancilla expressa esse dilema de maneira precisa: “Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja rejeitar a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma que fortaleça e não substitua os vínculos que dão sentido à nossa vida” (Mancilla, 2026).

Talvez essa seja também uma boa porta de entrada para pensar a espiritualidade na era da hiperconectividade.

Espiritualidade: muito mais que prática religiosa

Para a psicologia e as ciências da saúde, espiritualidade não precisa ser compreendida exclusivamente como adesão a uma religião. Uma revisão sistemática do conceito na área da saúde identificou como dimensões recorrentes da espiritualidade elementos como sentido e propósito, conexão consigo mesmo e com os outros, transcendência, relação com o sagrado e busca de paz interior (Sena et al., 2021).

Para pessoas religiosas, entretanto, essas dimensões frequentemente ganham expressão concreta por meio da oração, leitura de textos sagrados, culto, silêncio, contemplação, serviço, comunidade, gratidão, perdão e discernimento. A literatura indica associações relevantes entre religiosidade/espiritualidade e diferentes dimensões da saúde mental, embora essas relações sejam complexas, bidirecionais e dependentes da maneira como a religião é vivenciada (Lucchetti et al., 2021).

É exatamente aqui que a hiperconectividade merece nossa atenção. Muitas práticas espirituais dependem de capacidades que a cultura digital disputa intensamente: atenção sustentada, silêncio, espera, interioridade, presença e vínculo.

Da atenção fragmentada à interioridade fragmentada

Kassandra Vargas lembra, ao discutir aprendizagem, que a hiperconectividade pode comprometer a continuidade necessária para aprender quando produz verificações frequentes e competição pela atenção. Sua conclusão é que a tecnologia precisa funcionar como “recurso de aprendizagem, e não como fonte permanente de dispersão” (Vargas, 2026).

O mesmo princípio pode ser aplicado à experiência espiritual.

É possível ouvir um sermão enquanto respondemos mensagens, ler um texto devocional enquanto chegam notificações, orar com o telefone na mão ou passar de um conteúdo religioso para outro sem permanecer tempo suficiente em nenhum deles. Nesse caso, podemos estar consumindo muito conteúdo espiritual sem necessariamente cultivarmos maior profundidade espiritual.

A questão não é demonizar o smartphone, mas reconhecer que atenção é um recurso psicológico limitado. Se a mente aprende continuamente a mudar de foco diante de cada novo estímulo, silêncio e contemplação podem começar a parecer estranhamente desconfortáveis.

Taína Vasconcelos descreve outro aspecto desse fenômeno ao diferenciar o desejar (wanting) do desfrutar (liking). É possível continuar procurando novos estímulos sem experimentar satisfação proporcional. Por isso, ao concluir seu artigo, propõe recuperar a capacidade de esperar, sustentar a atenção e escolher recompensas coerentes com valores pessoais, perguntando como fazer com que “o prazer deixe de ser apenas uma busca incessante e volte a fazer parte de uma vida com sentido” (Vasconcelos, 2026).

Para a espiritualidade, essa distinção é crucial. Uma vida orientada apenas pela próxima recompensa não é necessariamente uma vida orientada por propósito.

Presença: talvez o fio que une toda esta coletânea

O tema da presença atravessa vários dos textos anteriores.

Ao estudar a relação mãe-bebê, Oliveira e Sônego observam que a tecnologia pode oferecer informação e suporte, mas não substituir o encontro direto. Elas resumem: “O desafio da maternidade contemporânea talvez não seja abandonar a tecnologia, mas impedir que ela ocupe o lugar da presença” (Oliveira e Sônego, s.d.).

Thais Souza chega à conclusão semelhante ao tratar da infância: “proteger as crianças não significa negar a existência da tecnologia, mas garantir que ela não substitua experiências essenciais ao desenvolvimento humano” (Souza, s.d.). Essas experiências incluem brincar, esperar, conviver, imaginar, enfrentar pequenas frustrações e ser acolhido por adultos emocionalmente disponíveis. A autora inclui explicitamente a saúde espiritual entre as dimensões que precisam desse equilíbrio.

Nos relacionamentos conjugais, Mancilla formula o mesmo princípio de outra maneira: “A tecnologia não é a inimiga. O problema é o lugar que ela ocupa” (Mancilla, 2026).

Mãe e bebê, criança e pais, marido e esposa, aluno e professor, pessoa e comunidade de fé: os cenários mudam, mas a pergunta permanece semelhante. Quem ou o que está recebendo nossa presença?

Isso também é uma pergunta espiritual.

Conectados não significa necessariamente pertencentes

Na adolescência, essa questão assume intensidade ainda maior. Rafael Lopes Sales e Silva escreve que “o excesso de tela muitas vezes preenche um vazio de pertencimento” e observa que grupos reais, atividades significativas e relações presenciais de qualidade podem reduzir a necessidade de hiperconexão utilizada para preencher solidão e tempo vazio (Silva, 2026).

Significativamente, o autor identifica grupos de estudo, solidariedade, esporte, arte e fé como possíveis fatores de proteção quando proporcionam identidade coletiva positiva e pertencimento real.

A pesquisa científica sugere que o fenômeno é ambivalente. Ambientes digitais podem diminuir certas formas de isolamento ao conectar pessoas que compartilham experiências e identidades; ao mesmo tempo, determinadas formas de uso podem coexistir com maior solidão emocional. A tecnologia pode, portanto, produzir a experiência paradoxal de estarmos cercados por pessoas e ainda assim nos sentirmos profundamente sozinhos.

Algo semelhante parece ocorrer com a religião digital. Em um estudo longitudinal realizado no Reino Unido durante a pandemia, Shiba et al. encontraram algumas associações positivas entre participação religiosa online e indicadores posteriores de bem-estar, mas os resultados foram limitados e não reproduziram de maneira abrangente aquilo que tem sido observado em estudos de participação religiosa presencial. Os próprios pesquisadores chamam atenção para componentes da experiência presencial — comunidade, interações informais e co-presença — que não são plenamente substituídos online (Shiba et al., 2023).

Assistir a um culto pode ser profundamente significativo. Mas assistir a uma comunidade e pertencer a uma comunidade não são exatamente a mesma experiência.

Neurodivergência: equilíbrio sem simplificações

Os dois materiais de Diovan Cruz acrescentam uma cautela indispensável. Para pessoas neurodivergentes, a tecnologia pode exercer funções muito diferentes e, por isso, abordagens generalizadas podem ser inadequadas.

Cruz afirma que estabelecer limites “não significa privar a criança ou o adolescente”, mas criar condições para desenvolvimento saudável e resiliente (Cruz, 2026). Ao mesmo tempo, seu material mais extenso lembra que simplesmente bloquear conteúdos é insuficiente: o objetivo deveria incluir alfabetização digital que permita ao jovem desenvolver autonomia, ética e capacidade de discernir aquilo que é seguro, verdadeiro e adequado.

Essa distinção é particularmente importante porque, para algumas pessoas neurodivergentes, um tablet pode não representar entretenimento, mas comunicação, acessibilidade e participação social. No caso de crianças não verbais que utilizam comunicação aumentativa e alternativa, por exemplo, restringir indiscriminadamente o dispositivo pode significar restringir sua própria voz.

Portanto, também no campo espiritual, a pergunta clinicamente útil dificilmente será apenas “quanto tempo de tela?”. Precisamos perguntar para quê, como, quando e o que aquele uso está tornando possível — ou substituindo.

Hiperconectividade também é uma questão ética

Keila Bomfim acrescenta uma dimensão que não pode ser ignorada: nossa vida digital não diz respeito somente àquilo que recebemos das telas, mas também àquilo que fazemos dentro delas.

Ao analisar o cyberbullying, a autora demonstra como pequenas participações — uma curtida, um compartilhamento, um comentário — podem ampliar coletivamente o sofrimento de outra pessoa. Sua conclusão poderia funcionar como princípio de ética digital: “Não somos responsáveis por tudo o que acontece no ambiente digital, porém somos responsáveis pelas escolhas que fazemos dentro dele” (Bomfim, 2026).

A espiritualidade madura não deveria desaparecer quando abrimos uma rede social.

Compaixão, domínio próprio, responsabilidade, respeito à dignidade humana, verdade e cuidado com o vulnerável são valores que precisam atravessar também nossa presença digital. A hiperconectividade, portanto, não desafia apenas nossa atenção. Ela desafia nossa coerência.

Da desintoxicação digital ao discernimento digital

Talvez, então, não precisemos simplesmente de mais “detox digital”. Precisemos de discernimento digital.

O objetivo não seria rejeitar a tecnologia, mas devolvê-la ao lugar de ferramenta. Uma tecnologia saudável deveria ampliar aquilo que valorizamos sem substituir justamente as experiências que tornam a vida valiosa.

Para o profissional de saúde mental, algumas perguntas podem ajudar a incluir essa dimensão na avaliação clínica:

• O que a pessoa procura quando recorre automaticamente à tela: conexão, alívio, validação, controle, distração ou fuga?

• Que experiências foram progressivamente substituídas: sono, conversa, exercício, silêncio, oração, culto, leitura, família, natureza ou serviço?

• O consumo de conteúdo espiritual está conduzindo a práticas e vínculos reais ou tornou-se apenas mais um fluxo de conteúdo?

• A maneira como a pessoa se comporta online é coerente com os valores que afirma considerar importantes?

• Que espaços protegidos de atenção, presença, relacionamento e transcendência poderiam ser recuperados?

Quando religião ou espiritualidade constituem parte importante da identidade do paciente, não há razão clínica para tratá-las como território proibido. Uma meta-análise de 97 estudos de desfecho encontrou evidências favoráveis para psicoterapias adaptadas de maneira sensível à religião e espiritualidade do cliente; em comparações mais rigorosas, elas apresentaram resultados semelhantes às abordagens convencionais na redução do sofrimento psicológico e vantagens em alguns indicadores espirituais (Captari et al., 2018). Naturalmente, essa integração deve partir dos valores, crenças e objetivos do próprio paciente, nunca da imposição do profissional.

Profissionais interessados em aprofundar competências nessa integração podem conhecer a Capacitação Profissional PsySon, voltada ao diálogo entre saúde mental, espiritualidade e prática clínica.

Conectados para quê?

Depois de percorrermos recompensa, infância, adolescência, aprendizagem, neurodivergência, maternidade, casamento e violência digital, talvez seja possível identificar um denominador comum: o verdadeiro risco não está simplesmente em possuir tecnologia, mas em permitir que ela ocupe, sem percebermos, o lugar de experiências indispensáveis para sermos humanos. Precisamos de atenção para aprender. De espera para amadurecer. De presença para amar. De pertencimento para construir identidade. De responsabilidade para viver eticamente. E de significado para saber em que direção queremos conduzir nossa vida.

Talvez o contrário da hiperconectividade não seja a desconexão. Talvez seja a conexão intencional: com aquilo que realmente valorizamos, com as pessoas que amamos, com nossa comunidade, com nossa interioridade e, para quem crê, com Deus e com o transcendente.

A tecnologia pode nos ajudar a chegar a muitos lugares. Mas continua existindo uma pergunta que nenhum algoritmo pode responder por nós: para onde vale a pena ir?

Como escreveu Viktor Frankl: A busca do homem por sentido é a motivação primária de sua vida, e não uma ‘racionalização secundária’ de impulsos instintivos (Frankl, 2006, p. 99, tradução nossa).

Considerações finais

A hiperconectividade não deve ser compreendida apenas como um desafio tecnológico, mas também como uma questão espiritual. Quando as telas passam a ocupar o lugar do silêncio, da presença, da oração, da convivência e da busca de sentido, elas podem enfraquecer dimensões essenciais da vida interior e dos vínculos humanos.

Nesse sentido, o problema não está simplesmente em estar conectado, mas em discernir a que essa conexão nos conduz. A tecnologia pode servir ao cuidado, à fé, ao pertencimento e à aprendizagem, desde que permaneça como ferramenta e não substitua experiências fundamentais de comunhão, responsabilidade, transcendência e propósito.

Assim, uma espiritualidade madura na era digital exige conexão intencional: com Deus, com o próximo, consigo mesmo, com a comunidade e com os valores que orientam a vida. Mais do que reduzir telas, trata-se de recuperar espaços de presença, escuta e sentido, para que a tecnologia esteja a serviço daquilo que verdadeiramente humaniza.

Sobre a autoria

Nestor Bruno

  • Teólogo e Psicólogo Clínico – LPCC 44659

1 Nestor Bruno vive em Dayton, Ohio, com sua esposa, Martina. Ambos são profissionais da área de saúde, filhos de pastores e compartilham uma profunda preocupação com a saúde emocional daqueles que vivem sua fé de maneira comprometida. Nestor é diretor internacional da PsySon, a maior plataforma online de saúde mental que respeita os princípios e valores religiosos de seus pacientes. A PsySon atende pacientes em 145 países, em vários idiomas.

Referências

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  • CAPTARI, L. E.; HOOK, J. N.; HOYT, W.; DAVIS, D. E.; McELROY-HELTZEL, S. E.; WORTHINGTON, E. L. Jr. Integrating clients’ religion and spirituality within psychotherapy: a comprehensive meta-analysis. Journal of Clinical Psychology, v. 74, n. 11, p. 1938-1951, 2018.
  • CRUZ, D. Neurodivergências e hiperconectividade: um guia prático para pais sobre o impacto das telas no neurodesenvolvimento e estratégias para o uso consciente. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
  • CRUZ, D. Telas e pessoas neurodivergentes. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
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  • MANCILLA, I. D. Casais hiperconectados e emocionalmente distantes. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
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  • SENA, M. A. B.; DAMIANO, R. F.; LUCCHETTI, G.; PERES, M. F. P. Defining spirituality in healthcare: a systematic review and conceptual framework. Frontiers in Psychology, v. 12, artigo 756080, 2021.
  • SHIBA, K.; COWDEN, R. G.; GONZALEZ, N.; RANSOME, Y.; NAKAGOMI, A.; CHEN, Y.; LEE, M. T.; VANDERWEELE, T. J.; FANCOURT, D. Associations of online religious participation during COVID-19 lockdown with subsequent health and well-being among UK adults. Psychological Medicine, v. 53, n. 9, p. 3887-3896, 2023.
  • SILVA, R. L. S. e. Hiperconectividade na adolescência: riscos, oportunidades e caminhos de equilíbrio. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
  • SOUZA, T. Que infância é essa? Como o mundo digital está transformando a infância e quais caminhos ainda podem ser adotados para protegê-la. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
  • VARGAS, K. A. F. S. Hiperconectividade e a aprendizagem: o papel da escola. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.
  • VASCONCELOS, T. Geração a um clique do prazer: neurobiologia da recompensa, busca por prazer e autorregulação na era da hiperconectividade. In: PERILLO, L.B.; MANCILLA, I.D.; SÔNEGO, R. V. (Org). Entre Conexões. Engenheiro Coelho: UNASP, 2026.

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